Resenha: Feliz Ano Velho (Marcelo Rubens Paiva)

Livro: Feliz Ano Velho
Autor: Marcelo Rubens Paiva
Editora: Alfaguara
Ano: 2015
Páginas: 272
Sinopse: Feliz ano velho é o primeiro livro de Marcelo Rubens Paiva. Aos vinte anos, ele sobe em uma pedra e mergulha numa lagoa imitando o Tio Patinhas. A lagoa é rasa, ele esmigalha uma vértebra e perde os movimentos do corpo. Escrito com sentido de urgência, o livro relata as mudanças irreversíveis na vida do garoto a partir do acidente. Ele é transferido de um hospital a outro, enfrenta médicos reticentes, luta para conquistar pequenas reações do corpo. Aos poucos, se dá conta de sua nova realidade, irreversível. E entende que é preciso lutar. O texto expressa a irreverência e a determinação da juventude, mesmo na adversidade, e a compreensão precoce “de que o futuro é uma quantidade infinita de incertezas”.

O livro relata a história de Marcelo Rubens Paiva, um jovem, que após um mergulho mal planejado acaba tetraplégico. O texto é um relato espontâneo e autobiográfico, em que Marcelo conta seus dias no hospital intercalados com suas memórias; sua infância no Rio e em São Paulo, quando mudou-se para Campinas e matriculou-se na UniCamp e sua vida de músico.

Por esse motivo, o livro é caracterizado como literatura contemporânea, ou seja, apresenta uma fragmentação da história, onde é possível notar uma não-linearidade e narração em tempo psicológico, em que o leitor é levado pelos pensamentos do personagem.

A história passa-se durante a Ditadura Militar, em que o próprio pai de Marcelo, o deputado Rubens Paiva, é assassinado. É extremamente pertinente a atual geração conhecer as barbaridades cometidas nessa época da história brasileira. O livro é relatado com uma linguagem bastante informal, estando presente muitas gírias, uma característica da década de 1970 a qual o livro se passa.

O título "Feliz Ano Velho" descreve o estado de Marcelo ao sofrer o acidente. Era perto do Natal de 1979; o ano em que se passa foi muito feliz para ele, com realizações que almejava. Mas ele não esperava nada do ano novo, na verdade, passou por sua cabeça suicidar-se. Nota-se no livro uma evolução do personagem, pois ele passa a enxergar sua condição de uma maneira diferente.

Com a ajuda de sua família ele passa a perceber que vale a pena viver e que ele tem condições de melhorar. O leitor é levado a refletir sobre temáticas acerca da vida. Quantas pessoas vivem bem sendo tetraplégicas e quantas que são "normais" apenas reclamam da vida. Esse livro é reflexivo e dá esperança, pois em nenhum momento Marcelo deixou de lutar. Eu indico demais esse livro especialmente para leitores que gostam de histórias realistas e que se passam durante a Ditadura.


"Feliz Ano Velho, adeus, Ano-Novo."

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